
Clodoaldo passa para Rivelino, ele dribla o zagueiro rival e lança a pelota com perfeição. Gérson recebe e como um garçom serve Pelé, que de mané não tem nada. O Rei agradece dominando a gorduchinha, levanta a cabeça, mira o alvo, calibra a pontaria e fuzila a meta inimiga, sem chance para o arqueiro. O camisa 10 corre como um cavalo puro sangue ingles até o corner, dá um pulo felino e golpeia o ar, extravasando seu orgulho de vestir a camisa canarinho.
Será que veremos esta mesma atitude novamente? Técnica e qualidade foram enterradas nos gramados setentistas e oitentistas. Espero assistir um esquadrão que saiba a importância da seleção brasileira e se orgulhe do que representa, isto é, uma nação e uma história, mesmo sem o futebol brilhante do primeiro parágrafo.
Neste último Domingo, presenciamos mais uma conduta vergonhosa. O importante confronto das Eliminatórias da Copa de 2010, disputado contra a “excelente” seleção equatoriana, terminou empatado. Entretanto, o destaque foi o descaso dos “boleiros” em campo e a arrogância dos mesmos fora dele, durante as entrevistas. Se futebol fosse justo, o Equador teria nos vencido de goleada, mas a sorte iluminou os apagados representantes verde-amarelo. Não posso deixar de aplaudir o goleiro carioca Julio César, que honrou seu posto e nos salvou de uma humilhação com plásticas defesas.
Ultimamente, a nossa seleção de futebol é um circo chamado CBF: o dono é corrupto e gerencia de forma ditatorial, para não dizer promíscua, a entidade mais sagrada do nosso país sem respeitar o “respeitável público”. Seus assistentes são mágicos que administram contratos, parcerias e jogos amistosos em função dos seus próprios interesses. O técnico Dunga é o malabarista que também se equilibra na corda bamba entre os dirigentes gananciosos e a pressão popular. O jogador, que joga na Europa, é o perna-de-pau. Este último é convocado porque gera algum tipo de receita para os cartolas e assim, quando está em campo, ou melhor no picadeiro, faz a gente dar risada.
Adivinha quem é o palhaço?
Texto de Rodrigo Palassi (Paulistano e Administrador de Empresas)


