Monday, April 27, 2009

"ELE NÃO APRENDEU A JOGAR GOLF"




O jogador da Internazionalle de Milão, Adriano, chamdo de "Imperador", resolveu "dar um tempo" no futebol,aos 28 anos. "Estou cansado"declarou.. não acho mais graça no futebol.... quero estar ao lado dos meus amigos, na favela onde nasci etc, etc."


Bem....noutro dia, Carlos Alberto Torres, lateral direito, capitão da Seleção tri -campeã em 1970, ao ser entrevistado por uma emissora de TV, foi enfático ao declarar: "Ele diz isso, que está cansado do futebol, que perdeu o encanto, porque está com os bolsos cheios. Queria ver se ele estivesse "pronto" se ia deixar de jogar!!! Assim é fácil.. qualquer um se "aposenta"! Há um radialista em São Paulo, que sempre diz, que nossos clubes de futebol, deveriam ter um psicólogo "full time". Nossos jogadores talentosos são oriundos das camadas mais pobres da população e muitos não sabem lidar com a fama, fortuna, novos hábitos, metem as mãos pelos pés, entram para o mundo das drogas lícitas e ilícitas, envolvem-se em escãndalos de todo jeito: sexuais, negociatas, noitadas etc.. Não têm limites prá nada! Poucos são os que vêm de famílias estruturadas ou classe social melhor. Mesmo Ronaldo, o FENÔMENO, nascido num subúrbio do Rio de Janeiro, soube e continua sabendo aproveitar as "benesses " da Europa e do dinheiro: adquiriu hábitos refinados... até GOLF sabe jogar!!! Veste-se bem, frequenta lugares sofisticados (embora tenha umas recaídas "brabas" quando vai a lugares menos recomendados) e não vive apregoando que sente saudades da feijoada e da caipirinha, não põe gelo no vinho francês, etc.. É uma pessoa que transmite humildade, em nenhum momento é arrogante, mesmo com todo o assédio que sofre dos jornalistas é um EXCELENTE GAROTO PROPAGANDA: vende tudo o que anuncia!!

Mas "O Imperador" não vende nada, tal como Edmundo e Romário. jogadores talentosos, mas cujas carreiras estiveram sempre ligadas a escândalos. Esses atletas: Romário, Edmundo e mais alguns não se adaptaram aos costumes europeus, mas continuaram com suas carreiras. O caso de Adriano é inédito. Faltou-lhe um bom psicólogo. O menino talentoso, forte, habilidoso que nasceu e cresceu na favela de vila Cruzeiro, no Rio de Janeiro, não teve o apoio necessário para conviver com os requintes da nova vida na Europa. É lógico que ganhou e guardou dinheiro.... mas até quando vai durar?! O porto seguro dele é a favela da Vila Cruzeiro, no meio de toda a ilicitude possível, protegido por ela, de bermudas, sandálias havaianas, tatuagens múltiplas, brincos na orelha, latinha de cerveja em uma das mãos, churrasco na outra e os PÉS, mesmo de sandálias, pisando a areia fofa das praias do Rio, estão nas NÚVENS!

De repente, depressão passou a ter outra conotação, nada honrosa. Ele NUNCA vai aprender a jogar GOLF, tomar VINHO FRANCÊS "comme il faut", vestir com classe um terno ARMANI!!! Creio que não o veremos mais, como um centro-avante raçudo, peito de aço, ginga maravilhosa, humilhando a seleção argentina e outras mais!!! Acho que o perdemos definitivamente para as ruelas tortuosas, campos de futebol sem grama, povo marginalizado da Vila Cruzeiro. É pena!!!

(Bia Flores é paulistana e pedagoga)

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